segunda-feira, 20 de julho de 2009

Mímica & Teatro Físico

Marcel Marceau e as metáforas da vida cotidiana
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Marcel Marceau como Bip

...) Seu nome já foi considerado sinônimo de mímica, embora tenha se tornado uma personalidade nos quatro cantos do mundo pelo seu trabalho com a pantomima. Nos Estados Unidos, apareceu em diversos programas de televisão e em vários filmes cinematográficos e, com isso, apresentou uma nova arte a milhões, que a desconheciam, e foi acolhido calorosamente pelo público. Uma legião de imitadores de Marcel Marceau apareceu pelas ruas, programas de TV e teatros.
Como este público desconhecia esse tipo de arte antes de Marceau, era muito difícil aceitar qualquer forma de mímica que não fosse a pantomima dele. Certamente é por isso que tantas pessoas, ainda hoje, ao pensar em mímica, imaginam o artista de rosto branco, silencioso, contando histórias sem o uso das palavras. A forma da pantomima ficou fortemente registrada na mente das pessoas que tiveram e ainda têm a oportunidade de assistir ao trabalho deste artista maravilhoso, mas que não representa o trabalho do seu mestre Etienne Decroux e que muito se diferencia do trabalho da Mímica Moderna e Contemporânea.
Afinal, Marcel Marceau é uma lenda da Mímica ou da Pantomima? Para responder melhor esta pergunta vamos conhecer a vida e a formação deste fenômeno do século XX e que se mantém ainda ativo neste século.
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Marceau como Bip

ascido em 1923, em Strasbourg na França, Marcel Rangel percorreu duros caminhos até se tornar o mímico mais famoso do mundo. Filho de judeus, sua família se mudou para Lille e depois para Limoges, quando então a Segunda Guerra Mundial eclodiu. (...) Marceau e seu irmão foram, então, para Paris, onde se sentiam em segurança. Marcel Mangel se tornou Marcel Marceau quando chegou em Paris com falsa identidade fornecida pelo seu irmão. E foi lá que pode resgatar seu antigo sonho de ser ator. Quando criança, costumava ir ao cinema assistir aos filmes de Charles Chaplin, sentava-se hipnotizado diante daquelas imagens que marcaram tão profundamente a sua vida.
(...) Em Paris, arranjou um emprego em uma escola infantil em Sèvres, como professor de teatro, e lá conheceu Eliane Guyon, a melhor mímica de sua época e aluna de Etienne Decroux, que lecionava na mesma escola. Finalmente, em 1946, matriculou-se na conhecida Escola de Artes Dramáticas Charles Dullin, onde, como Barrault antes dele, atuou em uma pequena parte como servo de Volpone e estudou com Decroux, que o introduziu na arte da mímica.
Nesse mesmo ano, ingressou na companhia teatral de Barrault. Atuou como Arlequim no espetáculo de pantomima Baptista, criado depois do sucesso do filme Les Enfants du paradis. Baptista era o nome do personagem de Debureau, interpretado por Barrault. Em 1947, no Théâtre de Poche, nasceu Bip, seu famoso personagem com a figura do Pierrô, com o rosto branco, um traço vermelho cobrindo a boca e um chapéu com uma flor na cabeça. Os seus movimentos do rosto, das mãos e do corpo criavam histórias sem o uso das palavras. Em resumo: um contador de histórias silencioso.
(...) Como não podia se tornar Baptista, pois Barrault ainda atuava este personagem em seu espetáculo, criou Bip. Este nome é derivado de Pip, um personagem de Grandes Esperanças, escrita por Charles Dickens, que Marceau leu quando criança. No ano de sua criação, apresentava-se como Bip de um lado de Paris, como Arlequim na companhia de Barrault e continuava freqüentando suas aulas diárias com Decroux, até que sua carreira tomou todo o tempo dos estudos.
(...) Ainda em 1947, apresentou-se fora da França pela primeira vez, viajando para Suíça, Itália, Bélgica e Holanda. A novidade, a qualidade artística e o personagem Bip foram recebidos calorosamente e reconhecidos pelo público.
(...)No programa do espetáculo de sua turnê no Brasil em 1997, celebrando 50 anos de Bip, Marceau diz:
Bip me levou para os cinco continentes graças ao poder de emocionar platéias de qualquer nacionalidade. A evolução do Bip é feita de um olhar sobre o homem e através de uma arte que se afirma em seu estilo. Bip não vive de lembranças. Seus combates são do mundo de hoje. Ele é como Dom Quixote, lutando contra os moinhos de vento da existência. O personagem de Cervantes é uma das fontes de Bip, misturada a outras do universo cômico da Commedia dell’Arte, Pierrô, Carlitos, Stan Laurel, Buster Keaton e, posteriormente, Jerry Lewis. Até personagens trágicos foram incorporados a persona de Bip, como Ulisses, o herói grego, e os miseráveis de Charles Dickens. (MARCEAU, encarte do programa de sua turnê pelo Brasil, 1997)
Em outra parte do programa, ele confessa que, com Decroux, com seu filho Maximilien Decroux e com Eliane Guyon, tornou-se absolutamente fanático pela mímica.
(...) Seu meteórico sucesso propagou-se por todo o mundo e uma legião de imitadores de seu estilo apareceu nas ruas, nos teatros e na televisão. Mas o que o diferenciava de seus imitadores era que eles não se preocuparam em aprender a base da técnica, a mímica de Decroux. Ficaram limitados a imitar seu repertório e seu figurino e, com isso, tinham a vida artística curta.
Durante todos os quase sessenta anos de carreira, Marceau nunca parou de se apresentar. Quando diziam que estava fora de moda, um novo público que não o conhecia revitalizava-o com uma nova ovação(12).
(...) Em 1978, fundou sua Escola Internacional de Mímica Marcel Marceau, viabilizada na época pelo apoio do então prefeito de Paris, Jacques Chirac. Começou a se dedicar, também, à transmissão de sua arte de forma sistemática.
(...) A grande confusão em defini-lo como mímico ou pantomimo está no fato de ele ter tido a formação moderna e de usar a técnica apreendida na Pantomima. Podemos dizer, com segurança, que Marceau é um mímico de formação que ficou conhecido, mundialmente, pelo gênero da Pantomima.
(...)Inspirado no Pierrot de Debureau e em Chaplin, Marceau desenvolve a Pantomima Moderna que já traz a técnica de Decroux. E esta é a principal diferença de seu trabalho com a Pantomima Clássica.
A sua escola em Paris, aberta até hoje, já formou grandes artistas da Pantomima Moderna. Por lá já passaram o português Luis de Lima, o brasileiro Ricardo Bandeira e muitos outros. Ele é a maior referência da Pantomima Moderna e seus ensinamentos têm presença marcante na Pantomima Contemporânea.

Fonte:www.cialuislouis.com.br

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